sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

100 Balas: Revivendo Hammett e Chandler


Há muito tempo não lia um romance policial que me despertasse tantos sentimentos como a história em quadrinhos de 100 Balas, escrita e desenhada por Brian Azzarello e Eduardo Risso respectivamente. Trata-se de uma construção narrativa espetacular, com refinados toques de dramaticidade. Nada, absolutamente nada que acontece na seqüência das histórias em quadrinhos de 100 balas é por acaso, tudo se encaixa perfeitamente e tem sua razão de ser na trama.



A trama principal gira em torno de uma mala com 1 arma e 100 balas não rastreáveis sempre entregue por um tal agente Graves a uma pessoa que sofreu algum tipo de injustiça, o tal agente oferece a oportunidade de as pessoas se vingarem sem que corram o risco de serem presas ou perseguidas pela polícia. Só no decorrer das histórias é que os autores passam a revelar gradativamente os mistérios que envolvem homens com Graves, Sr Shepherd, Lono e Cole Burns, como, para quem trabalham?, quem são?, quais são seus objetivos?, se formam um grupo ou não?, etc.



100 balas remonta a tradição de autores como Dashiell Hammett e Raymond Chandler, ao mesmo tempo em que, atualiza os ambientes e as atmosferas do mundo do crime. Contra todos os preconceitos, tanto por ser um romance policial considerado pelos néscios de plantão como uma subliteratura, quanto pelos intelectuais adornianos que vêem, ainda hoje, os quadrinhos como um mero produto básico da indústria cultural, fútil, palatável e descartável, 100 balas consegue ser, concomitantemente, um grande romance e uma fantástica narração gráfica, sem nenhuma perda da qualidade dramática. Boa Leitura!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Carta ao Mino Carta – Um Singelo Agradecimento

Acerca de "O Silêncio é de ouro" Despedida de Mino Carta

Olá Mino, é com emoção que leio sua última postagem, mas não o reprimo, tão claras e contundentes foram suas justificativas. Cabe-me apenas agradecê-lo por estes anos de ensino clarividente e torcer para que um dia, você, não só escreva um livro sobre o Brasil e consiga publicá-lo, mas também que a esperança volte a bater em seu peito e que sua "fiel Olivetti" volte a sentir as carícias perspicazes de seus dedos.
Sei que o Brasil que sonhamos ainda está muito distante, mas tento seguir em frente, pois não fiz nem 0,5 % do que fizeste. Por isso, compreendo sua decisão.

Um Abraço afetuoso para aquele que sem dúvida tem um lugar reservado no mais alto posto do jornalismo brasileiro.

Emocionadamente,
Adonile A. Guimarães
http://adonile.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Espera Ânsia

A idéia da loucura desfez no louco a idéiA
I

a esperança aumenta meu medo
sentindo a vontade de pedir algo
alguém no céu sacoleja a cabeça
do berço que me come e assombra
a alma que anuncia que a vida
já se foi na sombra dos passos
que samba na luz do perdão
do osso que sobrou dos escombros
do beco que a luz não vingou
nas costas de quem não viu
na televisão que fingiu ser
a verdade de quem sonhou
o que não quis fez o sorriso
bobo de quem sentiu que está
morrendo desde quando NASCEU!

A ILUSÃO MORRE DESILUDIDA
II

QUEM NASCEU MORREU VIVENDO
CADA ESPERANÇA QUE O TEMPO COMEU
O PÉ QUE INCHOU VIROU AREIA
QUE O MAR LAMBEU E DEPOIS CUSPIU
DA MIRAGEM DO SEU OLHAR
O QUARTO ESCURO QUE IMPUTOU A MEU BEIJO
A VONTADE QUE SENTI ERA SUA
E MAIS NADA HAVIA EU DESCOBRI
QUE O RIO QUE PASSOU NÃO ME LEVOU
PORQUE NA VERDADE NUNCA ESTIVE aqui!

1º semestre de 2000

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Por que os presidentes vieram ao Fórum? Gilberto Maringoni


Foto: Eduardo Seid


O encontro de cinco presidentes marca um dos pontos mais altos de todas as edições do FSM. Todos se legitimam e legitimam o evento, que torna-se definitivamente parte da agenda política mundial. Lula, que esteve duas vezes em Davos, decidiu não subir aos alpes suíços neste ano.
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Melhores momentosFoi um dos melhores momentos de todas as oito edições do FSM. Lula, que participou de quatro das iniciativas em Porto Alegre e marcou presença por duas vezes em Davos, decidiu não subir aos montes suíços neste ano. Mais do que ninguém, ele sabe do possível desgaste em associar sua imagem à parte dos financistas responsáveis pela crise econômica internacional.
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Disputa
Nem tudo é tranquilo, no entanto. As duas atividades desta quinta com os chefes de Estado envolveram uma disputa, estabelecida entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o governo Lula. Descontentes com o que avaliam serem os poucos avanços da reforma agrária, os dirigentes do movimento decidiram não convidar o presidente brasileiro para a atividade do período da tarde.
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Diálogo
Em um diálogo inédito, os quatro mandatários ouviram previamente demandas de representantes dos movimentos, o que levou Morales a lembrar que "somos presidentes originários das lutas sociais continentais". O líder boliviano era o mais entusiasmado de todos. Acabara de vencer o plebiscito que aprovou por larga maioria a nova constituição do país, reduzindo o espaço institucional da oposição de direita.
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Eleições
João Pedro Stédile chegou a falar, no encontro com os movimentos populares, que as eleições não resolvem os problemas da região. "Se fosse assim, a Itália estaria muito bem", disse ele. Não é bem assim. Todos os mandatários latinoamericanos foram eleitos, reeleitos e referendados em seguidas consultas populares. Se a democracia real não conseguiu resolver os problemas, as soluções devem ser buscadas nas combinações de demandas sociais com o alargamento dos espaços institucionais. O próprio Fórum Social Mundial não existiria se governos democráticos não tivessem sido eleitos e investido dinheiro e estrutura em iniciativas desse tipo.

Excerto Carta Capital A mão invisível do Estado: "Globalização 2.0"



“Moldar o mundo pós-crise.” Nenhuma das edições mais recentes do Fórum Econômico Mundial (WEF, segundo a sigla em inglês) permitia prever o tema de Davos 2009 e seu caráter imperativo e intervencionista. De “O Imperativo Criativo” (2006) a “O Poder da Inovação Colaborativa” (2008), os temas eram tão banais e otimistas quanto títulos de livros de autoajuda para executivos. [...]



Agora, o clima é de seriedade e urgência. Klaus Schwab, fundador e presidente do WEF, fez seu discurso em tom de mea-culpa: “Somos todos responsáveis por não reconhecer os riscos de um mundo totalmente desequilibrado. Deveríamos ter prestado mais atenção naquelas pessoas que conseguiram prever os sinais e falaram desses riscos aqui nesta sala. A negação de uma verdade politicamente inconveniente ou desagradável, em conjunto com o instinto de manada, nos levou a depender de sistemas irreais e insustentáveis, enfraquecidos ou abusados de maneira antiética ou fraudulenta”.


Muitos dos astros do setor financeiro e empresarial que lá brilharam nos anos anteriores não foram ouvir o líder russo. Alguns faliram (como Richard Fuld, do Lehman Brothers), outros foram demitidos (como John Thain, do Merrill Lynch), vários têm problemas com a Justiça (como Ramalinga Raju, presidente da indiana Satyam Computer Services, detido por fraude) e outros estão simplesmente embaraçados ou ocupados demais para aparecer, inclusive os presidentes do Citibank e do Bank of America, dependentes de socorro estatal para manter à tona aqueles que ainda em 2007 eram os dois maiores e mais poderosos grupos bancários do mundo. Hoje, o alto do pódio está ocupado pelo ICBC, o equivalente chinês do BNDES.


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