sábado, 22 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

Não será um cineasta de meia-tigela que dirá o que é isso!



Quem pode explicar os protestos que estão acontecendo em todo o Brasil?
Ninguém!
Quem pode mapear as origens sociais dos manifestantes?
Ninguém pode, muito menos um cineasta meia-boca!
Como identificar as motivações políticas?
Não sei!
Os interesses e os objetivos dos manifestantes?
Parecem tantos e tão difusos que ainda não dá para delineá-los.
Será que é uma onda passageira de revoltas motivadas pelas redes sociais, apenas?
Acho que não, parece ser mais amplo e sério.
Parece está enraizado, embora seja espontâneo!
Uma coisa parece ficar claro: os analistas estão atônitos!
Os políticos, talvez, os grande alvos dos protestos estão encolhidos.
Talvez, isso seja uma chave de análise, pois a insatisfação com os políticos parece algo comum entre os manifestantes.
Os analistas mais afoitos falaram em protestos de classe média.
Quebraram a cara. Está longe disso.
Parece mais uma nova multidão que ganha as ruas e amedronta os ricos, os políticos e todas as autoridades, que estão atônitas.
Os partidos políticos não sabem o que fazer, não tem o que fazer: são também alvo dos protestos!
Os políticos se escondem, precavidos e assustados, tremem. Ai de algum político levantar bandeira partidária nas manifestações.
Os manifestantes são contra os políticos mas não contra a política, como temia Hannah Arendt e alertava quando isto ocorria para o perigo do fascismo.
Pois parece ser uma nova prática política dos não-representados.
Talvez seja um sintoma da falência da democracia representativa, uma falência que, porém, não leva ao fascismo.
Pois quem tentou utilizar os atos de violência ocorridos isoladamente nestas manifestações até o momento para caracterizá-las, não se deu muito bem.
Emerge uma nova forma de fazer política, difusa, mas contundente, pois inassimilável  por quaisquer mecanismos de controle existente até o momento.
A polícia tradicional é inútil!
A inteligência policial, ineficaz.
A vigilância inócua.
Ninguém canaliza estes rios caudalosos que arrastam, quando querem, a tudo e a todos.
Mas isso não quer dizer que são incontroláveis, não há lideranças aparentes, nem objetivos claros, mas há um rumo, não são simples arruaceiros, são seres pensantes e conscientes, podem não saber no que vai dar, mas parece seguir caminhos que se fazem ao caminhar.
Não há roteiro pré-definido, mas não é desordenado, parece sim, a instituição em movimento [sic], a criação de um novo ordenamento, com métodos originais, por isso, a perplexidade geral.
Temos que aprender com estes manifestantes, pois eles nos representam, nos identificamos neles, somos eles também e quem sabe daqui alguns anos teremos uma noção mais clara e completa do que está acontecendo.
E de longe, mas bastante feliz por saber que os jovens brasileiros também sentem na pele as injustiças que sofrem, está divertido muito divertido ver os analistas daqui e de fora batendo cabeças!

domingo, 2 de junho de 2013

Criolo, o poeta do nosso cotidiano

Eu não sou fã da linguagem (rap), mas tenho que admitir, é um poeta... tem muita sensibilidade e sutileza, sem deixar de ser incisivo quando necessário.




sexta-feira, 17 de maio de 2013

Sabedoria e Silêncio - uma quase resenha do filme: Sócrates de Rossellini






Nota: este texto era para ser curto e apenas uma resenha do filme: “Sócrates” de Roberto Rossellini... mas eis que se tornou isto:

Hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar pessoas que cultuam a sabedoria, que desejam ser sábios.

Mas isto, me parece, não é de hoje, pois desde a época de Sócrates, conforme filme de Rossellini, diretor clássico do cinema novo italiano, a sabedoria era preterida pelo dinheiro, pelo poder, pela fama.

No entanto, é notório que há algumas nítidas distinções. Atualmente, é belo ser burro. Cometer despautério e rir das próprias bobagens, não é mais ironia ou uma autodefesa, é jocoso o rir da própria asneira, gera aceitação.

Mas o que seria a sabedoria? Sinceramente, acho que não sei. Isto é, nem sei se sei.

Sócrates usava um “jogo de palavras” parecido, segundo Nietzsche é claro, para demonstrar o que era a sabedoria. Exatamente, saber que nada sabe. E isto é, talvez, uma das frases mais egocêntricas da história, se de fato foi proferida, ou dita pelo menos no contexto que apreendemos ao longo dos séculos através dos exegetas canônicos.

Se sabedoria é saber que nada sabe. Rir disso hoje em dia é ser mais do que sábio? Não, não pode ser, esta conclusão nos levaria a um completo paralogismo. Portanto, tentarei outras definições de sabedoria. E como Nietzsche, mas não tão veemente, nem poderia, ouso duvidar da sabedoria de Sócrates. 

Em vez de sábio, prefiro vê-lo como um grande crítico que não tinha temor em questionar as pessoas sobre os sentidos de suas afirmações e fazer, por vezes, perceberem suas próprias contradições. A dita e redita maiêutica.

Mas, então isto não seria sabedoria? Sinceramente, acho que não sei.

Escolho falar sobre as condições necessárias para o exercício da sabedoria, ou da busca da verdade, como diria o próprio Sócrates.

Em primeiro lugar levo em conta o ócio. Sim, o trabalho não combina com sábios, o não-trabalho seria assim uma pré-condição para os sábios. Pessoas que como Sócrates podiam se dedicar à Filosofia contemplativa, ou como Eurípedes à Arte, ou como Péricles à Política, não que todos estes pudessem ganhar a alcunha de sábios, mas poderiam “praticar” a sabedoria pois tinham as condições iniciais para isto.

Se considerarmos apenas este ponto, podemos radicalizar e afirmar que os sábios começaram a entrar em extinção já bem nos primórdios do capitalismo quando o trabalho ganhou um status de moral e tornou-se o difusor dos novos hábitos e costumes.

Em segundo lugar, como a nossa sociedade é uma contínua metamorfose de valores e nada tem de perenidade a não ser a ânsia desenfreada pelo consumo e substituição/descarte da mercadoria consumida. A criticidade se tornou alvo dela mesma. Em outras palavras, parece fazer pouco sentido criticar as ideias, condutas e encontrar nelas contradições, pois nada parece ou sequer necessita ser coerente mesmo.

Por este outro motivo, quem quer se dedicar ao exercício da sabedoria, torna-se, geralmente, um ser estranho, macambúzio, isolado, visto com muitas reservas e pouca condescendência pelos demais, o que leva, por sua vez, os ditos sábios a se refugiarem nos círculos mais exíguos das torres de marfins mais elevadas e distantes, sem quaisquer contatos com o mundo real, portanto, distante daquele conceito clássico de sabedoria socrática em que o sábio buscava ajudar os outros a encontrar a Verdade.

Em terceiro lugar é preciso destacar: ninguém é sábio aos 20 anos e isto é mais verdade na contemporaneidade. A sabedoria não é apenas um estado de espírito, um caráter que busca incessantemente esclarecer as ideias e as condutas em busca da Veritas. O sábio só alcança os auspícios da sabedoria contemplando a vida já no crepúsculo da sua própria vida, onde a luz da razão já não ofusca os sentidos, e ao contrário, o auxilia numa visão mais ampla das coisas.

Como se vê, neste terceiro ponto, estamos cada vez mais distantes dos sábios em nossos tempos, pois a velhice é uma coisa totalmente execrada em nossa sociedade. Seja na busca incessante pela eterna juventude. Os fabricantes de cosméticos e revendedores sempre passam à margem de qualquer crise financeira, global ou regional. Seja também pela rejeição do mundo do trabalho/desemprego que exclui os velhos como seres de baixa produtividade, de uma relação custo-benefício onerosa, ou pelo menos, de menor competitividade.

Se no passado a mulher de Sócrates lhe reclamava do falar por falar, da sua incrível qualidade para deixar os outros sem jeito, sem respostas, furiosos e criar inimigos mortais que o levaram à cicuta. Atualmente, a mulher de um sábio, se existe ou vier a existir, provavelmente, lhe reclamaria de seu silêncio sorumbático e melancólico.

Outros tempos.