terça-feira, 29 de março de 2016

Pensamento Binário

                                                  A bandeira do Brasil empunhada por neofascistas nos anos 80

Estou assustado... ¹
O pensamento binário destes idiotas cria um clima fascista em nosso país.
Para estes néscios, ser contra o impeachment é ser a favor do PT ou da Dilma, não conseguem ir além do 0 e  do 1.
Para eles, carregar uma bandeira vermelha que eles nem sabem o significado é terrorismo, mas aterrorizar um jornalista em sua residência com xingamentos, buzinas, não.
Vestem a camisa verde e amarela, mas não sabem nem a origem ou mesmo significado da frase "ordem e progresso" .
São movidos apenas pelo ódio, e o ódio cega, é automático, sem reflexão.
Querem acabar com a bandidagem agindo como bandidos!
Querem acabar com a corrupção com apoio de corruptos!
Querem salvar a democracia sendo anti-democráticos!
Querem opinar sem deixar que os outros opinem!
Querem discordar sem deixar que os outros discordem!
Também sou contra o impeachment!
Mas não sou a favor da Dilma e nem do governo dela, ou do PT, ou das estratégias funestas usadas para se reelegerem.
Apenas acho que a saída do impeachment não é saída e sim um buraco mais fundo.
Um impeachment votado por mais de 200 suspeitos de corrupção que utilizam como argumento  a própria corrupção praticada pelo governo federal, não é apenas um paradoxo, é um insulto a qualquer pessoa que consiga pensar além do 0 e do 1.
A que preço Temer terá legitimidade para governar sendo ele parte desta corrupção?
Para ter legitimidade, terá que comprar apoio a custa de muitos cargos, outro argumento do impeachment, outro contrassenso.
O pensamento binário contamina um amplo espectro político, tanto à direita quanto à esquerda.
Dizer simplesmente que o impeachment é um golpe é apenas uma forma mais sutil do pensamento binário.
Santificar personagens políticos é apenas o outro lado da moeda, o reverso daqueles que imputa crime a quem ainda não foi julgado.
De um lado o 0 do outro 1, de um lado 1 do outro o 0. 
Tic Tac Tic Tac...

¹ Os xingamentos ao jornalista Juca Kfouri na porta de sua casa é apenas um entre tantos acontecimentos recentes deste clima fascista em que estamos vivendo. Neste panorama fascista, não há tolerância para a divergência, para o contraditório, para o debate, para o diálogo. dentro dos parâmetros binários fascistas, o divergente é o inimigo e deve ser eliminado!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Associação Livre; Maluca, mas Livre!


"Quando as pessoas concordam comigo tenho sempre a impressão de que devo estar enganado"  Oscar Wilde



Hoje depois do trabalho estava eu assistindo House of Cards, quando Francis Underwood solta esta pérola: Tudo na vida é sobre sexo, exceto o sexo. Sexo é sobre poder. 

Pesquisei e descobri, a frase é de Oscar Wilde. 


Aí então me lembrei do majestoso (nome do clássico: São Paulo x Corinthians, agora conhecido como 6 a 1 afff), mas majestoso foi o livro que li no final da minha adolescência: O Retrato de Dorian Gray onde contém preciosidades como esta: 
"Há muitas coisas que jogaríamos fora, se não temêssemos que outrem as pudessem aproveitar". 

Que, por sua vez, me levou ao Livro: "O Único e a sua propriedade" de Max Stirner: 
"... O que tu queres não é liberdade de ter todas essas coisas boas, porque com essa liberdade tu ainda não as tens; o que tu queres é tê-las de fato, chamar-lhes tuas e possuí-las como propriedade tua".

E, finalmente, achei o que procurava esconder de mim mesmo o dia todo: o meu estado de servidor público municipal, indignado e consternado com a situação em que me encontro, em que nos encontramos todos, todos aqueles que nem tiveram o direito, de receber o salário em dia e integralmente, respeitado. 


Estava eu pronto para me rebelar contra toda esta falta de respeito até receber ontem uma convocação do sindicato (o mesmo sindicato que nunca nos representou, que delapidou o patrimônio dos servidores, o mesmo sindicato investigado por CPI, acusado de corrupção, nepotismo, etc). 


Em um comunicado, este mesmo sindicato me convocava a participar de uma paralisação  em repúdio ao estado de coisas que me afligia e aflige.
 

Aí me veio a seguinte dúvida existencial: devo me sublevar contra uma situação indigna, mesmo quando quem me chama para o protesto é pior do que o que mais faz protestar? 

É como se saísse empunhando uma placa contra o racismo ao lado de um Ku Klux Klan. 

Mesmo a causa sendo justa, vale a pena estar do lado de tais pessoas? 

Decidi pelo conselho do D. João VI de Carla Camurati: quando não se sabe o que fazer, é melhor não fazer nada. 

Mas estou a 24 horas remoendo isso!

Por isso, acho, fiz do blog meu analista de Bajé, mas sem bombacha, que fique claro!