sábado, 22 de outubro de 2016

Joãozinho e a PEC-241





Na sala de aula, depois do sinal de saída, o Joãozinho me perguntou: professor esta tal de PEC 241 é realmente ruim para educação? Meu pai fala que é, meu tio fala que não, quem está certo? Minha avó já não aguenta mais ver os dois filhos discutirem.

Depois de uma fração de segundos pensando (para mim) e uma eternidade para Joãozinho (imagino eu), resolvi explicar assim:
Joãozinho vou te contar uma história, preste atenção!

Havia um funcionário que trabalhava numa loja e recebia 18 por cento do faturamento.
Tudo ia bem, a cada ano, o faturamento aumentava, foi assim por uns 10 anos.
Mas o período das “vacas magras” chegou e o faturamento da loja foi diminuindo, isso era ruim também para o funcionário, pois seus 18 por cento valia bem menos agora.
Teve ano que seus 18% equivalia a 10000, agora só valia 7000.
Foi aí que o dono da loja teve uma ideia e disse ao funcionário: o seu salário agora não será mais 18 por cento do faturamento, será 7000 mais a inflação do período, certo?
O funcionário, pego de surpresa e temendo que o faturamento continuasse a cair, respondeu afirmativamente: tudo bem.
Mas será assim por 20 anos ou quando achar que devo alterar, certo?
Ahh, (inseguro) tudo bem, certo.
No ano seguinte, o faturamento da loja caiu um pouquinho, mas como o salário do funcionário não se baseava mais no percentual do faturamento, ele recebeu os 7.000 + 10 % da inflação e ficou satisfeito com os 7.700.
Mas no outro ano, o faturamento aumentou de cerca de 39.000 para 50.000, o que na regra antiga (18%) daria ao funcionário um salário de 9.000, mas na regra atual e como a inflação do período foi de 5%, ele recebeu apenas 7.350.
Joãozinho, qual a regra salarial você escolheria, se pudesse? Joãozinho, que é muito inteligente, respondeu:
Depende, professor. Se o faturamento da loja continuar a cair, eu prefiro os 7.000 + inflação, mas se o faturamento da loja aumentar eu prefiro a porcentagem dos 18%. (Sorridente).
Mas será que você imagina por que o dono da loja propôs esta mudança, Joãozinho?
Eu acho que sei… (franziu a testa). Por que ele previa que o faturamento não iria diminuir e poderia até aumentar?
Isso mesmo Joãozinho, nesta nova regra, mesmo que o faturamento da loja aumente, o salário do funcionário continuará o mesmo, sendo apenas reajustado conforme inflação, mas sem aumento real.

Ah, Professor… Enquanto você contava esta história, eu me perguntava qual seria a sua motivação, pois para mim, até então, ela não tinha nada a ver com a pegunta sobre a  PEC 241, que faz meu tio e pai discutirem tanto; pensei até que você estivesse me enrolando por não saber a resposta, mas agora eu saquei, o funcionário é a educação, a loja é o Brasil e o dono da loja são os governos, certo?

Isso mesmo Pedrinho!
Mas me diga, quem está com a razão, o seu pai ou o seu tio?

terça-feira, 29 de março de 2016

Pensamento Binário

                                                  A bandeira do Brasil empunhada por neofascistas nos anos 80

Estou assustado... ¹
O pensamento binário destes idiotas cria um clima fascista em nosso país.
Para estes néscios, ser contra o impeachment é ser a favor do PT ou da Dilma, não conseguem ir além do 0 e  do 1.
Para eles, carregar uma bandeira vermelha que eles nem sabem o significado é terrorismo, mas aterrorizar um jornalista em sua residência com xingamentos, buzinas, não.
Vestem a camisa verde e amarela, mas não sabem nem a origem ou mesmo significado da frase "ordem e progresso" .
São movidos apenas pelo ódio, e o ódio cega, é automático, sem reflexão.
Querem acabar com a bandidagem agindo como bandidos!
Querem acabar com a corrupção com apoio de corruptos!
Querem salvar a democracia sendo anti-democráticos!
Querem opinar sem deixar que os outros opinem!
Querem discordar sem deixar que os outros discordem!
Também sou contra o impeachment!
Mas não sou a favor da Dilma e nem do governo dela, ou do PT, ou das estratégias funestas usadas para se reelegerem.
Apenas acho que a saída do impeachment não é saída e sim um buraco mais fundo.
Um impeachment votado por mais de 200 suspeitos de corrupção que utilizam como argumento  a própria corrupção praticada pelo governo federal, não é apenas um paradoxo, é um insulto a qualquer pessoa que consiga pensar além do 0 e do 1.
A que preço Temer terá legitimidade para governar sendo ele parte desta corrupção?
Para ter legitimidade, terá que comprar apoio a custa de muitos cargos, outro argumento do impeachment, outro contrassenso.
O pensamento binário contamina um amplo espectro político, tanto à direita quanto à esquerda.
Dizer simplesmente que o impeachment é um golpe é apenas uma forma mais sutil do pensamento binário.
Santificar personagens políticos é apenas o outro lado da moeda, o reverso daqueles que imputa crime a quem ainda não foi julgado.
De um lado o 0 do outro 1, de um lado 1 do outro o 0. 
Tic Tac Tic Tac...

¹ Os xingamentos ao jornalista Juca Kfouri na porta de sua casa é apenas um entre tantos acontecimentos recentes deste clima fascista em que estamos vivendo. Neste panorama fascista, não há tolerância para a divergência, para o contraditório, para o debate, para o diálogo. dentro dos parâmetros binários fascistas, o divergente é o inimigo e deve ser eliminado!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Associação Livre; Maluca, mas Livre!


"Quando as pessoas concordam comigo tenho sempre a impressão de que devo estar enganado"  Oscar Wilde



Hoje depois do trabalho estava eu assistindo House of Cards, quando Francis Underwood solta esta pérola: Tudo na vida é sobre sexo, exceto o sexo. Sexo é sobre poder. 

Pesquisei e descobri, a frase é de Oscar Wilde. 


Aí então me lembrei do majestoso (nome do clássico: São Paulo x Corinthians, agora conhecido como 6 a 1 afff), mas majestoso foi o livro que li no final da minha adolescência: O Retrato de Dorian Gray onde contém preciosidades como esta: 
"Há muitas coisas que jogaríamos fora, se não temêssemos que outrem as pudessem aproveitar". 

Que, por sua vez, me levou ao Livro: "O Único e a sua propriedade" de Max Stirner: 
"... O que tu queres não é liberdade de ter todas essas coisas boas, porque com essa liberdade tu ainda não as tens; o que tu queres é tê-las de fato, chamar-lhes tuas e possuí-las como propriedade tua".

E, finalmente, achei o que procurava esconder de mim mesmo o dia todo: o meu estado de servidor público municipal, indignado e consternado com a situação em que me encontro, em que nos encontramos todos, todos aqueles que nem tiveram o direito, de receber o salário em dia e integralmente, respeitado. 


Estava eu pronto para me rebelar contra toda esta falta de respeito até receber ontem uma convocação do sindicato (o mesmo sindicato que nunca nos representou, que delapidou o patrimônio dos servidores, o mesmo sindicato investigado por CPI, acusado de corrupção, nepotismo, etc). 


Em um comunicado, este mesmo sindicato me convocava a participar de uma paralisação  em repúdio ao estado de coisas que me afligia e aflige.
 

Aí me veio a seguinte dúvida existencial: devo me sublevar contra uma situação indigna, mesmo quando quem me chama para o protesto é pior do que o que mais faz protestar? 

É como se saísse empunhando uma placa contra o racismo ao lado de um Ku Klux Klan. 

Mesmo a causa sendo justa, vale a pena estar do lado de tais pessoas? 

Decidi pelo conselho do D. João VI de Carla Camurati: quando não se sabe o que fazer, é melhor não fazer nada. 

Mas estou a 24 horas remoendo isso!

Por isso, acho, fiz do blog meu analista de Bajé, mas sem bombacha, que fique claro!