segunda-feira, 30 de março de 2015

Reforma Política ou Engodo?



Alguns parlamentares, partidos e juízes em vez de atacarem o cerne do problema da corrupção no Brasil: o financiamento empresarial de campanha, preferem ficar brincando de fazer reforma política e utilizam o termo reforma, quando deveriam falar em continuidade, pois com a reforma que se à vizinhança na Câmara dos Deputados, o que teremos é a prática do velho lema: “vamos reformar para tudo ficar como está”.

Como no Brasil, já é moda os poderes confundirem suas funções, esta história de engodo versus Reforma política começou em abril de 2014, quando o STF iniciou uma votação para decidir pelo fim ou não das “doações” empresariais para campanhas políticas. Esta, é obviamente, uma função legislativa e como tal caberia ao Congresso e não ao Judiciário a decisão, mas como é notório até para os juízes do Supremo que nem a Câmara e nem o Senado tem o menor interesse neste assunto, o STF deu seu jeitinho e tomou a frente e em abril passado começaram as seções. Quando parecia que, enfim o brasileiro ia se ver livre de tal excrescência legal, o notório juiz, Gilmar Mendes, quando o placar era 5 a 1 para o fim das “doações”, pediu vista de processo e, assim, está até o momento.

Depois dos indiciamentos de parlamentares, consequência da Operação Lava Jato, os holofotes voltaram-se para o Congresso e, qual não foi a minha surpresa em saber que, Vossa Excelência, Eduardo Cunha, presidente da Câmara, um dos indiciados, e seu partido, o PMDB são contrários ao fim das “doações” empresariais.

No entanto, o meu espanto foi maior quando soube que o PT, apoia o fim dos oleodutos (trocadilho infame para o caso Petrobrás) e dos túneis (trocadilho também infame para o caso do Metrô em São Paulo) por onde escoam e passam a maioria do dinheiro da corrupção no Brasil.

Depois do espanto, a esperança: se o PT, um dos maiores beneficiados destas “doações” de campanha, só nas últimas eleições presidenciais, foram mais de 60 milhões, é a favor do fim desta garantia vil, é possível que haja Reforma e não engodo, apesar dos Gilmares e Eduardos da vida.

E depois da esperança, a cobrança: se o governo, representado, em parte, pelo PT, é a favor do fim destes inescrupulosos investimentos disfarçados de doações, o que esperar da oposição, se não, que também seja favorável ao fim desta abominação contida em nossa legislação eleitoral.


É urgente que o PSDB e a oposição como um todo, se posicionem também contra esta prática funesta e defendam o fim desta deplorável garantia legal ou que, pelo menos, deixem de se falar em reforma, posto que não passará de um engodo.

terça-feira, 24 de março de 2015

Contra a Desinformação, a... Formação!




Dias atrás eu vi uma mensagem que anda circulando no Whatsapp, trata-se de uma propaganda ao estilo fascista, que tem a voz de um locutor que vocifera dramaticamente contra a atuação do BNDES em outros países.
Na mensagem, o banco brasileiro seria um doador de dinheiro, a serviço do comunismo petista para países comunistas...
No início eu comecei a rir...
Mas depois pensei, a desinformação, a ignorância não podem ser espalhadas com se verdades fossem, e eu como professor tenho a obrigação de me opor a mentiras como esta.
Portanto, vamos aos fatos: BNDES é um banco e como tal, empresta dinheiro a juros (se os contratos são fraudulentos, é outra história), no caso o dito banco dá aporte financeiro para empresas brasileiras realizarem obras no estrangeiro.
Este é o papel de um banco que teoricamente visa o desenvolvimento social?
Não, acho que não, e isto não foi nem sequer abordado na dita mensagem, com coloração fascista.
Outro ponto, existe país comunista no mundo, atualmente?
Eu não conheço.
Mas, e a China?
A China tem o modelo de economia capitalista mais eficiente do mundo atualmente, isto é comunismo?
Não, não é.
Mas, Cuba é!
Não, também não é.
É uma ditadura esfarrapada, em que os irmãos Castros tiveram que engolir seu orgulho e aceitarem de vez a dependência econômica em relação aos EUA.
E a Venezuela? Uma ditadura caudilhista, no pior sentido do termo.
Mas, aí alguém pode argumentar, pois é isto que é o comunismo: ditadura.
Aí reside um enorme equívoco de análise, não é porque a grande maioria dos governos comunistas culminaram em ditaduras e, algumas até totalitárias, que todas as ditaduras são comunistas, ou podem, de forma esclarecedora, ser chamadas como tal.
Cuba, por exemplo, nem mesmo quando na Guerra Fria era tutelada pela URSS, podia se dizer que era um governo comunista, a aliança conveniente com o comunismo soviético não é, ainda sim, suficiente para rotular Cuba de comunismo.
Seu maior líder, Fidel Castro, está bem longe de ser caracterizado como Comunista.
E a História, penso eu, não o julgará como comunista.
Com relação a Venezuela, nem é preciso dizer, pois esta nunca teve ideologia comunista, sua ideologia é bolivariana, para o bem e para o mal.
A China representou por muito tempo um via comunista, mas caracterizá-la hoje como comunista, seria um elogio capitalista ao comunismo, e isto seria um contra-senso.
No entanto, ainda sim, poderão argumentar: o PT é comunista!
E quanto a isto, basta estudar um pouquinho, só um pouquinho, a sua história e constatar que os poucos comunistas que haviam na fundação do PT, e defendiam a socialização dos meios de produção, foram paulatinamente aderindo a "real" política, a ponto de militantes do antigo PC do B, alguns até dignos, em que pese a grande dose de irresponsabilidade e aventura, que marca as lutas armadas contra a ditadura no Brasil; hoje em dia, tornaram-se meros ladrões de colarinho branco, cujo único idealismo é o enriquecimento, nada mais.
Portanto, o PT, que depois se tornou partido do José Dirceu e hoje do Lula, nunca foi comunista!

Como o único antídoto para combater a desinformação, é a formação educacional; peço a permissão para sugerir algumas leituras, que me ajudaram a construir meus argumentos e a indicar também alguns tópicos de pesquisa.

Com relação às minhas leituras, procurei utilizar autores que não tivessem nenhuma ligação com o comunismo, ou pelo menos, diretamente.

Em alguns casos, como Arendt, Furet, Aron, e Magnoli, que defendiam e, no caso de Magnoli, ainda defende, posições contrárias a ideologia comunista, o meu objetivo foi alcançado.

Naquilo que não foi possível, principalmente, nas leituras mais introdutórias, utilizei autores que buscassem uma perspectiva mais didática, portanto, com enfoque na explicação e menos na opinião.


Bibliografia Básica (por preguiça, citarei somente autor e obra):

Raymond Aron. O Marxismo de Marx

Hannah Arendt. Origens do Totalitarismo

François Furet. O Passado e uma Ilusão

Kátia Paranhos. Era uma vez em São Bernardo

José Augusto e Rafael Roubicek. Guerra Fria a Era do Medo

Demétrio Magnoli. Globalização - Estado Nacional e espaço mundial

Héctor Bruit. Revoluções na América Latina

Clóvis Rossi. A Contrarrevolução na América Latina

Maurício Tragtenberg. A Revolução Russa e Reflexões sobre o Socialismo.


Algumas tópicos para pesquisa:










domingo, 22 de março de 2015

Os Outros de Mim



Me pediram para andar
Eu caí
Me disseram para correr
Paralisei
Me pediram para falar
Eu gaguejei
E disseram não chore
Eu chorei

E quando um líder surgiu
Eu não o segui
E quando gritavam em uníssono 
Eu fugi
E quando andavam para o mesmo lado
Eu tentei ir... para o outro

E quem é este?
Não sou eu
Sou os outros de mim
Os eus dos outros que me povoam!

Adonile

sexta-feira, 13 de março de 2015

Digno de Shakespeare (Acho que cometi uma blasfêmia)



Há muito tempo que eu não lia uma História que tivesse tanto a dizer...

Escolhas morais como matar para salvar vidas, fazer justiça com as próprias mãos, sentimentos de culpa, vingança, traição, inveja, consequências políticas, terrorismo, autoritarismo...

Enfim, um caldeirão dramático como há muito tempo não lia...

Imagine, se um dos homens mais poderosos do mundo perdesse no mesmo dia sua esposa grávida, a cidade que ama e tudo isso fosse feito inconscientemente por ele mesmo...

E isso acontece nas 30 primeiras páginas...

E olha que não, definitivamente, eu não estou falando Shakespeare...